Os seus cabelos dourados dançam
no vento, há muito que se soltaram das tranças. A sua pele clara, manchada de
sardas, parece refletir o brilho da manhã, talvez até ter a sua própria luz. E
os seus olhos, azuis como o céu infinito, que conseguem ver através de toda a
confusão do mundo e torná-la em algo claro, como a água.
O seu nome é Primrose.
As suas mãos trémulas conhecem já
muitas sensações: a das lágrimas, a da pele das pessoas (visto ser médica), o
pêlo dos seus animais, a cabra Lady e
o gato Ranúnculo.
Apesar da pouca beleza da sua
vida, ela procura sempre algo a que se agarrar, uma gota de orvalho caindo de
uma rosa branca, um bolo da pastelaria, coberto de esculturas de açúcar
cintilante. E consegue ver através do nevoeiro da vida, consegue sempre
encontrar o Sol. Por onde passa, a Paz segue-a.
No entanto, a escuridão da
floresta, o tremor dos relâmpagos, os sussurros da chuva, tudo isso pode
assustá-la, afastá-la, como água para o fogo. Se for abrigada de todos esses
medos, é uma pessoa simpática, carinhosa…
No fundo, é uma pessoa frágil
como uma flor, mas cintilante com o Sol.
Nuno
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