terça-feira, 31 de março de 2015

O Esconderijo do Nuno


Junto de minha casa havia uma casa em construção. Estava assim há muitos anos. Toda a gente pensava que ia ficar assim para sempre, no meio da floresta.

Um dia, de manhãzinha, o meu irmão chamou-me para subirmos até à floresta em torno da outra casa.

-Vamos construir um esconderijo! – disse ele, entusiasmado.

Eu, que era muito pequeno, não sabia o que era um esconderijo, mas concordei e segui-o.

Pedimos ao nosso pai que fosse connosco, e subimos os três à floresta. Era uma floresta grande, cheia de eucaliptos altos e de cor viva. Tinha muitas plantas selvagens e desconhecidas. E a casa, semiconstruída, estava já coberta de heras.

Começámos então a trabalhar no Esconderijo. O nosso pai arranjou madeira, fizemos a parede de árvores, e, por fim, dois banquinhos e uma mesa.

Estava então o Esconderijo feito. Da nossa casa, não se via – estava escondido. Eu e o meu irmão passámos lá horas brincando aos soldados e aos Reis e Rainhas, observando a casa com binóculos.

Hoje, a casa “para sempre em construção” está terminada. Com um terreno enorme dentro dos muros altos, o Esconderijo foi engolido pela construção e destruído. Tal como tudo na vida, os tempos do pequeno Esconderijo acabaram.

- Havemos de construir outro esconderijo! – diz por vezes o meu pai.

- Quando eu deixar de ter testes! – diz o meu irmão – Talvez no Dia de São Nunca…

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