Junto de
minha casa havia uma casa em construção. Estava assim há muitos anos. Toda a
gente pensava que ia ficar assim para sempre, no meio da floresta.
Um dia, de
manhãzinha, o meu irmão chamou-me para subirmos até à floresta em torno da outra
casa.
-Vamos
construir um esconderijo! – disse ele, entusiasmado.
Eu, que era
muito pequeno, não sabia o que era um esconderijo, mas concordei e segui-o.
Pedimos ao
nosso pai que fosse connosco, e subimos os três à floresta. Era uma floresta
grande, cheia de eucaliptos altos e de cor viva. Tinha muitas plantas selvagens
e desconhecidas. E a casa, semiconstruída, estava já coberta de heras.
Começámos
então a trabalhar no Esconderijo. O nosso pai arranjou madeira, fizemos a
parede de árvores, e, por fim, dois banquinhos e uma mesa.
Estava
então o Esconderijo feito. Da nossa casa, não se via – estava escondido. Eu e o
meu irmão passámos lá horas brincando aos soldados e aos Reis e Rainhas,
observando a casa com binóculos.
Hoje, a
casa “para sempre em construção” está terminada. Com um terreno enorme dentro
dos muros altos, o Esconderijo foi engolido pela construção e destruído. Tal
como tudo na vida, os tempos do pequeno Esconderijo acabaram.
- Havemos de
construir outro esconderijo! – diz por vezes o meu pai.
- Quando eu
deixar de ter testes! – diz o meu irmão – Talvez no Dia de São Nunca…
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