segunda-feira, 6 de abril de 2015

A rapariga que gostava de escadas rolantes




Quando eu era pequena, por volta dos três ou quatro anos, lembro-me de parte de uma aventura que aconteceu. Segundo a minha mãe, foi um dia terrível e eu bem posso concordar.
   Lembro-me de o dia ter começado comigo a comer bolachas enquanto via televisão, até que fui buscar a mala de maquilhagem da Barbie ao meu quarto; e de ter acabado com as colunas e a televisão cor-de-rosa no chão. Claro que não podia faltar baton naqueles buraquinhos das colunas. Quando a minha mãe viu, choveu naquela casa.
   Depois fomos às compras com os meus pais e o meu irmão, André, que por essa altura já devia ter nove ou dez anos. Nesse tempo, éramos irritantes: ele implicava comigo e a palavra que eu mais dizia era “para”. Ele tinha começado a fazer caretas para mim e eu odiava isso.
- Não me apanhas, nananananaaana! – dizia ele, com um riso maldoso e traquina.
   - Apanho, sim! - e começava a correr feita louca atrás dele. Até caí. Chorei.
   - Não sabem estar quietos? Aqui à minha beira!- repreendeu a minha mãe.
   - Mas foi ele! - apontei para o André, acusando-o.
   -Eu não fiz nada…- sempre aquela frase inocente.
(…)
   A minha mãe e o meu pai falavam com uns amigos que encontraram pelo caminho, até que vi as escadas rolantes. Eu era curiosa e achava piada àquilo. Fui-me aproximando…
  E tudo acabou com a minha mãe paralisada a olhar para mim, o meu pai a gritar e a correr, o meu irmão sem expressão na cara e uma desconhecida a salvar-me depois de ter rebolado pelas escadas abaixo. Só fiquei com nódoas negras.
  A partir daí achava que as escadas eram amigas do “bicho papão” e andei sempre “colada” à minha mãe no shopping.

Ana Margarida

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