Na casa dos meus avós há um muro. Um muro de cimento, todo cinzento, muito largo e bastante alto. Um muro que sempre esteve lá. Pelo menos, que eu me lembre No ano passado, os meus avós deixaram-nos, a mim e aos meus primos, fazer lá graffiti, de modo que o muro ficou mais "fixe". Há também uns arames onde a minha avó pendura a roupa.
Estava eu e os meus primos, reunidos naqueles domingos em que todos vão almoçar à casa dos avós, quando o Dinis disse:
- Ei , e se fossemos ver o que está atrás daquele muro?
É óbvio que nós sabíamos o que era , era um campo de relva, com um desnível algures, e com um rebanho de ovelhas, mas é claro que, visto do outro lado do muro, era melhor:
- Sim! - disse eu.
- Então , eu também vou ! - disse o Xavier.
- Eu também quero! - suplicou o Gil.
E lá fomos nós! Amarrámos as mãos aos arames e, pé ante pé, subimos, saltando, logo a seguir , para o outro lado.
Começámos por ir brincar com as ovelhas, depois atirámos pedras, de muito longe para ele não ver quem foi, ao cavalo e fomos indo assim, andando de um lado para o outro, até que vimos uma casa abandonada.
Tentámos abrir a porta , mas ouvimos um berro e fomos logo embora.
E foi assim a aventura!
Simão


