segunda-feira, 6 de abril de 2015

O voo da Clara


Quando era pequenina tinha o sonho de voar. Tentava várias vezes: saltava de cima do sofá e de seguida abanava rapidamente os braços, mas nunca resultava. Então acabei por desistir. Passados alguns meses surgiu-me novamente a ideia de tentar voar. Então decidi tentar de uma forma um pouco diferente… A minha mãe levou-me ao supermercado com ela e eu, como sempre, estava lá a pegar em sacos de plástico para ela guardar os legumes e as frutas dentro.
- Fica aí que eu já volto. - disse-me ela.
Fiquei lá à espera como a minha mãe tinha pedido. Como era época de Natal, no supermercado havia uma grande torre feita de chocolates. Pus-me a olhar para ela e logo me surgiu uma ideia. Comecei a escalar a torre, e quando cheguei ao topo desta, toda a gente que estava nesta zona ficou especada a olhar para mim. Ganhei coragem e saltei do topo desta torre, abanando rapidamente os braços. Quando estava a “voar” senti-me assustada e arrependida, prometendo-me que nunca mais faria uma loucura destas. Felizmente caí em cima de um saco de batatas, não me acontecendo nada de grave, apenas fiquei com uns pequenos ferimentos no joelho.
Depois disto tudo acabei por desistir da ideia de voar.

terça-feira, 31 de março de 2015

A autonomia da Joana


Um dia, estava eu no infantário, quando se ouve alguém a gritar:

   -Socorro! Estou preso!

   Lá vai uma carrada de gente e faz um círculo à volta: funcionários, amigos, até pessoas desconhecidas, todos a tentar ajudar a pobre rapariga, com um pé, sabe-se lá como, enfiado numa tampa de esgoto. Sempre a mesma coisa: alguém pedia ajuda e toda a gente ajudava. As pessoas tinham de começar a arranjar-se sozinhas, sem ajuda. Assim, quando fossem maiores, já estavam bem treinados a fazer coisas dessas; a desenvencilhar-se sozinhos.

   Mas não, socorro aqui, socorro ali; «isto já parece a quinta do tio Manel», dizia eu. Ninguém ouvia.

   Até que, um dia, estava eu feliz no recreio, a brincar num daqueles castelos, com escorregas e sítios de trepar, quando algo se espeta na minha mão. «Que estranho», pensei para mim. «Esta agora, tenho uma farpa!». Era o momento ótimo para mostrar o que conseguia fazer sozinha: comecei a tentar tirar a farpa com as minhas unhas, mas nada. De tanto tentar, esqueci-me que estava naquela estrutura grande a que chamo castelo, e, caí.

   A queda foi rápida, nem tive tempo de me agarrar em algum sítio. Doía-me tudo, da cabeça às pernas e não me conseguia mexer.

   E foi assim, aventurei-me sozinha e acabei no hospital com um braço partido. Desde aí nunca mais subi a coisas altas com uma ferida.

O peixe-aranha da Carolina

Estava um dia de verão quente e soalheiro, e na praia do Alvor soprava uma brisa suave. O mar espumoso refletia o sol, que se olhava, vaidoso, nas ondas calmas e esverdeadas. A areia dourada enchia o meu corpo, que parecia um croquete pronto a fritar.
Era uma brincadeira que todos os miúdos gostavam de fazer: depois de nadarmos no mar, ninguém se secava, pois íamos todos rebolar na areia para ficarmos cheios dela por todo o lado, para grande desespero dos pais.
Eu e a minha irmã Maria estávamos a brincar ao “croquete”, quando, de repente, deixámos de ver os nossos pais.
- Carolina, os pais estão aqui, vamos dar um mergulho porque estamos cheias de areia e, assim, vamos conseguir vê-los.
- Está bem, mas é só um mergulhinho - disse eu, quase a chorar.
O mar estava quentinho e eu, com a ajuda da minha irmã, mergulhava para tirar a areia. Mas, de repente, senti uma dor aguda no pé e comecei a chorar.
A minha irmã, preocupada, tirou-me da água e, avistando os pais, que entretanto nos tinham ido procurar, arrastou-me até eles.
- Que se passa? – perguntou a voz calma da mamã.
- Dói o pé – disse eu, cheia de dores.
A minha mãe levou-me ao nadador salvador, que observou o meu pé e disse:
-Foi mordida por um peixe-aranha.
Eu, sem saber o que era isso, comecei a chorar ainda mais, mas o rapaz desinfetou-me o pé e massajou-o, e ele ficou como novo.

A pequena ilha da Rafaela


 Tudo se passou num verão, num daqueles dias de verão quentes, mas com uma brisa refrescante. Estava na praia, numa daquelas praias do norte com não muita gente. Comigo na praia estava a minha mãe, o meu pai, a minha irmã e uma amiga.

 Depois de arrumarmos as coisas que levávamos  e de aplicar uma boa camada de protetor solar, fomos brincar, fizemos construções na areia, apanhámos pedrinhas no mar, ... até que chegou a hora do almoço e fomos comer. Eu adorava aqueles almoços na praia, quando eu é que decidia o que meter dentro do pão.

 A seguir do almoço dormirmos uma sesta pois nas horas em que o sol está mais a "pique" é mais perigoso. A sesta não durou mais de vinte minutos. Levantámo-nos e colocámos o protetor solar, sentimos que estava na hora de uma aventura e assim caminhamos junto ao mar com a minha mãe ate que paramos e vimos no mar uma pequena ilha que ficava não muito longe. Fomos até lá: a água que rodeava a ilha dava-me pela barriga. A ilha não era grande (na verdade era só um pedaço de areia no meio do mar), mas divertimo-nos imenso.

 Estivemos lá algum tempo, mas tivemos de voltar para casa porque já era tarde.

O Esconderijo do Nuno


Junto de minha casa havia uma casa em construção. Estava assim há muitos anos. Toda a gente pensava que ia ficar assim para sempre, no meio da floresta.

Um dia, de manhãzinha, o meu irmão chamou-me para subirmos até à floresta em torno da outra casa.

-Vamos construir um esconderijo! – disse ele, entusiasmado.

Eu, que era muito pequeno, não sabia o que era um esconderijo, mas concordei e segui-o.

Pedimos ao nosso pai que fosse connosco, e subimos os três à floresta. Era uma floresta grande, cheia de eucaliptos altos e de cor viva. Tinha muitas plantas selvagens e desconhecidas. E a casa, semiconstruída, estava já coberta de heras.

Começámos então a trabalhar no Esconderijo. O nosso pai arranjou madeira, fizemos a parede de árvores, e, por fim, dois banquinhos e uma mesa.

Estava então o Esconderijo feito. Da nossa casa, não se via – estava escondido. Eu e o meu irmão passámos lá horas brincando aos soldados e aos Reis e Rainhas, observando a casa com binóculos.

Hoje, a casa “para sempre em construção” está terminada. Com um terreno enorme dentro dos muros altos, o Esconderijo foi engolido pela construção e destruído. Tal como tudo na vida, os tempos do pequeno Esconderijo acabaram.

- Havemos de construir outro esconderijo! – diz por vezes o meu pai.

- Quando eu deixar de ter testes! – diz o meu irmão – Talvez no Dia de São Nunca…

O Muro do Simão



   Na casa dos meus avós há um muro. Um muro de cimento, todo cinzento, muito largo e bastante alto. Um muro que sempre esteve lá. Pelo menos, que eu me lembre No ano passado, os meus avós deixaram-nos, a mim e aos meus primos, fazer lá graffiti, de modo que o muro ficou mais "fixe". Há também uns arames onde  a minha avó pendura a roupa.
    Estava eu e os meus primos, reunidos naqueles domingos em que todos vão almoçar à casa dos avós, quando o Dinis disse:
     - Ei , e se fossemos ver o que está atrás daquele muro?
     É óbvio que nós sabíamos o que era , era um campo de relva, com um desnível algures, e com um rebanho de ovelhas, mas é claro que, visto do outro lado do muro, era melhor:
      - Sim! - disse eu.
      - Então , eu também vou ! - disse o Xavier.
      - Eu também quero! - suplicou o Gil.
      E lá fomos nós! Amarrámos as mãos aos arames e, pé ante pé, subimos, saltando, logo a seguir , para o outro lado.
      Começámos por ir brincar com as ovelhas, depois atirámos pedras, de muito longe para ele não ver quem foi, ao cavalo e fomos indo assim, andando de um lado para o outro, até que vimos uma casa abandonada.
       Tentámos abrir a porta , mas ouvimos um berro e fomos logo embora.
        E foi assim a aventura!

Simão

quinta-feira, 19 de março de 2015

Cenário de correção do 4.º teste de avaliação


Grupo I

1. a. V; b. ID; c. ID; d. V; e. V; f. F (“Evidentemente não contei a ninguém a minha intenção.”); g. F (O bambuzal ficava no fundo do quintal do narrador.); h. V; i. ID; j. F (Ele subiu porque foi “projetado para cima como uma bala de canhão”, mas, quando o impulso acabou, ele foi “sempre caindo”.); k. F (“Senti que estava perdido.”); l. ID; m. V; n. V; o. ID.

 

2.1. “(…) me erguer (…)”

2.2. “(…) de nossa casa (…)”

2.3.conseguindo

 

3. A expressão “(…) braços abertos como as asas de um pássaro” é muito apropriada, pois compara a atitude do narrador à de um pássaro, quando, efetivamente, ele pretende voar.

 

Grupo II

    1. O título apropria-se a este conto, uma vez que Jika e Ndalu (assim como Tibas e Bruno Ferraz) viviam na mesma rua e eram amigos.

    1. É possível que Jika não quisesse comer em casa, por considerar que em casa de Ndalu se comia melhor. Talvez Jika preferisse comer em casa de Ndalu por apreciar a sua companhia e a das irmãs.
    2. É possível que a família de Jika fosse mais pobre do que a de Ndalu, e por isso houvesse mais comida em casa do amigo.

    1.  Jika e Ndalu podiam ter-se ferido, ou até morrido.
    2.  Há crianças que veem filmes ou desenhos animadas e se julgam a salvo de todos os perigos.
    3.  Talvez a mãe de Jika não o tivesse alertado para os perigos que incorria ao saltar de lugares altos.
    4. Como Jika era o mais novo da sua rua, não tinha maturidade suficiente para se aperceber dos perigos.
    5. Com a excitação da brincadeira, Jika não deu conta dos riscos envolvidos.
  1. “Então vou pedir na minha mãe.”
    5.1 Ndalu = vocativo; te = complemento indireto; uma coisa = complemento direto
     
    6.1 Quando Dona Sita contou uma história, Tchi adormeceu.
    6.2. Tchi adormeceu, porque Dona Sita contou uma história.
     
    7.1 Jika batia à porta de Ndalu, que ainda estava no quarto.
    7.2. Jika bebia uma gasosa que era importada.
     
    8. Orações subordinadas adverbiais relativas

 Grupo IV

Resposta livre