Quando eu
era pequena, por volta dos três ou quatro anos, lembro-me de parte de uma
aventura que aconteceu. Segundo a minha mãe, foi um dia terrível e eu bem posso
concordar.
Lembro-me de o dia ter começado comigo a
comer bolachas enquanto via televisão, até que fui buscar a mala de maquilhagem
da Barbie ao meu quarto; e de ter
acabado com as colunas e a televisão cor-de-rosa no chão. Claro que não podia
faltar baton naqueles buraquinhos das colunas. Quando a minha mãe viu, choveu
naquela casa.
Depois fomos às compras com os meus pais e o
meu irmão, André, que por essa altura já devia ter nove ou dez anos. Nesse
tempo, éramos irritantes: ele implicava comigo e a palavra que eu mais dizia
era “para”. Ele tinha começado a fazer caretas para mim e eu odiava isso.
- Não me
apanhas, nananananaaana! – dizia ele, com um riso maldoso e traquina.
- Apanho, sim! - e começava a correr feita
louca atrás dele. Até caí. Chorei.
- Não sabem estar quietos? Aqui à minha
beira!- repreendeu a minha mãe.
- Mas foi ele! - apontei para o André,
acusando-o.
-Eu não fiz nada…- sempre aquela frase
inocente.
(…)
A minha mãe e o meu pai falavam com uns
amigos que encontraram pelo caminho, até que vi as escadas rolantes. Eu era
curiosa e achava piada àquilo. Fui-me aproximando…
E tudo acabou com a minha mãe paralisada a
olhar para mim, o meu pai a gritar e a correr, o meu irmão sem expressão na
cara e uma desconhecida a salvar-me depois de ter rebolado pelas escadas
abaixo. Só fiquei com nódoas negras.
A partir daí achava que as escadas eram
amigas do “bicho papão” e andei sempre “colada” à minha mãe no shopping.
Ana Margarida