Na minha infância nunca tive uma aventura.
A não ser… numa altura em que ainda estavam umas manhãs quentes, com um vento
ligeiro, onde pássaros cantavam alegremente, flores coloridas convidavam as
abelhas a tirar o pólen e animais à procura de um lago onde pudessem beber a
água fresca e cristalina logo de manhã.
Nessa manhã, eu e o meu primo estávamos no Outeiro,
na casa de férias dele. Saímos logo de manhã para inventarmos um caminho para
irmos para o rio de uma maneira mais divertida. Ele
gabava-se de saber todos os caminhos como as palmas das suas mãos, mas como
toda a gente sabe que ele é meio “ aluado”, eu preferi deixar um rasto por onde
tínhamos passado.
A certa altura, começámos a falar sobre as
aulas e a escola e eu esqueci-me de deixar o caminho marcado e ele de lhe
prestar atenção. Nós descemos por ali abaixo, ora virávamos à esquerda ora à
direita e, quando demos por nós, estávamos perdidos. Perguntei:
- Então, sabichão, sabes onde estamos?
- Não, não reconheço este sítio… - disse,
confuso.
- Estamos
perdidos, certo? – perguntei .
- Sim, estamos perdidos – disse com desprezo.
No entanto, o rio não estava assim tão
longe e rapidamente chegámos lá e voltámos a subir pela estrada para ir para
casa.