quinta-feira, 7 de maio de 2015

Sugestão de correção do texto argumentativo

 


A criação de impostos para alimentos que contêm níveis elevados de açúcar é um tema muito atual, que origina diferentes opiniões. Pessoalmente, sou a favor desta medida.

Considero a criação deste imposto benéfica por duas razões: por um lado, devido ao seu impacto na saúde e bem-estar do cidadão, uma vez que o excesso de açúcar no sangue provoca inúmeras doenças, como diabetes e obesidade; por outro lado, devido a motivos económicos, uma vez que a diminuição do consumo destes produtos, melhoraria a saúde dos cidadãos e reduziria os custos no tratamento deste tipo de doenças.

Em suma, tendo em conta os argumentos expostos, defendo que as vantagens da criação deste imposto são evidentes.
(Texto: Diálogos 7, Porto Editora)
 

 

terça-feira, 5 de maio de 2015

5.º teste de avaliação



Leitura

Interpretação de textos


Expressão, de forma fundamentada e sustentada, pontos de vista e apreciações críticas suscitados pelos textos lidos



Educação literária

Leandro, rei da Helíria
História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar
poema

Caraterísticas do texto dramático
Caraterísticas do texto poético
Recursos expressivos

Gramática





Palavras com grafias próximas


Identificação e conjugação de verbos em todos os tempos (simples e compostos) e modos


Aplicação das regras de utilização do pronome pessoal em adjacência verbal em frases afirmativas, em frases que contêm uma palavra negativa; em frases iniciadas por pronomes e advérbios interrogativos; com verbos antecedidos de certos advérbios (bem, mal, ainda, , sempre, , talvez…)

Classes de palavras, com especial incidência em:


Conjunção coordenativa: copulativa, adversativa, disjuntiva, conclusiva e explicativa;


Conjunção subordinativa: causal e temporal
Identificação de processos de coordenação e subordinação entre orações:
coordenadas copulativas (sindéticas e assindéticas), adversativas, disjuntivas, conclusivas e explicativas


subordinadas adverbiais causais e temporais


subordinadas adjetivas relativas.
Divisão e classificação de orações





Escrita

Texto argumentativo

  • Planificação
  • Estruturação: tomada de uma posição; a apresentação de razões que a justifiquem; e uma conclusão coerente
  • Redação com coerência e correção linguística, variação sintática e vocabular
  • Revisão







N. B. Tratando-se de um teste de Português - e, por maioria de razões, o último - pode haver questões acerca de qualquer matéria estudada até ao momento.











quinta-feira, 9 de abril de 2015

O barco do Eduardo


   Eu vivia numa rua onde também viviam três amigos meus. Éramos os melhores amigos, fazíamos tudo juntos.

   Um dia, estávamos os quatro a conversar e eu disse-lhes:

   -Tive uma ideia mesmo divertida!-exclamei eu.

   -Ai sim? Qual é?-perguntou o João.

   -Já alguma vez andaram de barco?

   -Não, porquê?-disseram eles.

   -Porque estive a pensar e lembrei-me que o meu pai tem um pequeno barco em casa. Podíamos pegar nele enquanto o meu pai não estivasse a olhar e íamos andar de barco. Que tal?

   -Por mim, tudo bem- exclamou o Simão.

   -Parece ser divertido! Eu alinho-disse o João.

   -Então eu também vou- disse o Filipe.

   -Está combinado, amanhã vamos andar de barco!-disse eu.

(…)

   Depois de pegarmos no barco do meu pai e o levarmos pela floresta (posso dizer que custou), chegámos a um grande lago perto da minha casa. Era um lago mesmo grande, com uma água límpida e transparente onde a luz do sol reluzia e apenas uns peixinhos laranjas e pequeninos nadavam em grupo.

   Logo que pusemos o barco na água, saltámos para cima dele e remámos durante algum tempo até chegarmos a um sítio lindo, repleto de árvores à volta do lago e onde pequenos animais saíam das árvores.

   Remámos, mais ao menos, uma hora, mas depois estávamos cansados e voltámos para casa (felizmente o meu pai não deu pela nossa falta, senão…) Mas posso dizer que foi um dia muito divertido.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Perdida nas férias!


Todos os verões, eu e a minha família inteira costumamos encontrar-nos em Mira, numa casa de férias construída e acabada de geração em geração. É uma casa amarela com um pinhal, com piscina, com duas camaratas (a dos rapazes e a das raparigas), e com seis quartos (um para cada casal).
Certo dia, a minha tia Manela, quando eu tinha por volta dos seis anos, decidiu levar toda a criançada à praia.
Na praia, as ondas pareciam ótimas, mas a diversão pouco durou, ao descobrirmos que estava bandeira vermelha, e ao fim de uma hora fomos embora. Foi ao entrar no carro que me lembrei que tinha deixado os meus chinelos na praia. Quando voltei para o carro, já ninguém estava lá. Pensei que tivessem ido a pé sem mim, por isso decidi tentar descobrir um caminho para voltar para casa e acabei por me perder no meio de um mato por onde entrei. Comecei a assustar-me, pois já estava a escurecer. Estava tão cansada e assustada que acabei por adormecer. Passado algum tempo apareceu um cão ao longe, e tive medo que ele me mordesse! Olhei bem, e vi que não se tratava de um cão, mas sim da cadela dos meus avós. Não tarda apareceu o meu pai, que me abraçou e levou para casa!
Hoje sei que a minha tia não se tinha ido embora, mas deu pela minha falta e foram todos à minha procura!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

O meu sonho de ser hoquista


Ali estava eu, a ver o meu primeiro jogo. Achei que não iria gostar. Quando lá cheguei, só me queria ir embora, mas a minha mãe disse-me:
- Diogo, está na hora de começares a praticar um desporto. Espera até que o jogo comece e vais ver.
- Está bem…
Logo que ouvi o apito inicial, percebi que era aquele o meu desporto. A minha mãe nem precisou de perguntar, percebeu-o através da minha felicidade.
No dia seguinte, não parava de falar de hóquei, e todos os meus amigos pareciam gostar. Eu estava ansioso pelo fim da tarde, pois quando acabassem as aulas eu iria novamente ao Pavilhão das Goladas, mas, desta vez, ia ser eu a experimentar. Quando cheguei, calcei os patins que me ofereceram e fui para dentro do ringue. Eu «fartava-me» de cair mas, com tanta felicidade, nem sentia as dores. Logo que comecei a aperfeiçoar a patinagem peguei num «stick», mas mal aguentava com ele. Apesar de eu achar que aquilo iria ser muito difícil, o meu treinador sempre me disse para eu nunca desistir do que realmente queria. Eu, lá dentro, sentia-me bem, o ringue era bonito, tudo era perfeito.
O clube chamava-se Hóquei Clube de Braga, mais conhecido por H.C.B.
Mesmo tendo entrado mais tarde do que os outros, não pretendo desistir e espero ser melhor que os outros.

A aventura do Zé Pedro

Na minha infância tive muitas aventuras, mas eu gostei especialmente de uma
          No verão vamos à aldeia e costumamos ir ao rio, que se situa em Gondiães. Esse rio é grande, calmo e bonito. O único problema são os moscardos. Eu e a minha prima Sara gostamos muito de lá ir por ter pranchas de saltar, tanto na parte baixa, como na parte funda que é onde eu e a minha prima costumamos ir.
          Um dia eu disse à minha prima:
         - Vou tentar dar um mortal no ar e cair na água.
Ao que ela respondeu:
         - Ok, mas tem cuidado, eu acredito em ti. Fui para a ponta da prancha, balancei-me um pouco, mas acabei por ter medo.
          Foi assim sucessivamente até que, antes de vir embora, eu perdi o medo. Saltei o mais alto que consegui, pus-me em posição de bomba e rodopiei. Nesse momento, vi toda a gente a olhar para mim. De repente, caí na água, voltei para a superfície e fui para casa e, à vinda, todos me deram os parabéns!

O Vicente e a memória de Nárnia

Esta história aconteceu há muito tempo, em 1988, digamos.
    Estava eu em Londres e ia partir para Braga, quando entrei num armário e fui para Nárnia - mas vamos começar pelo início.
Tudo começou assim: o meu avô estava a "rachar" lenha e eu estava a ajudá-lo, até que fui descansar. Acordei e imaginem o que eu vi!uma lareira em cujo fogo, se via um armário e um leão.
    Achei muito estranho e fui dizer à minha avó mas, como eu esperava, ela disse que eu estava maluco. Então fui dormir outra vez, à espera de ver mais alguma coisa, mas não vi nada.
    Acordei da minha soneca e fui jogar à bola com os meus amigos e eles disseram-me que também tinham visto o mesmo que eu. Então decidimos ir a Londres procurar um armário igual. Chegámos a Londres e entrámos no armário e não é que, para meu espanto, estava lá dentro um novo mundo que era denominado Nárnia?
    Foi uma aventura e "peras".Depois voltei para Braga e fiquei com uma memória de Nárnia.


A casa assombrada


Num sábado, após a reunião dos escuteiros, eu e mais três amigos decidimos ir dar um passeio.
  Estávamos a andar, quando vimos um caminho bastante estreito e decidimos passar por lá para ver o que havia do outro lado do caminho. Andámos… andámos e andámos, até descobrirmos que, do outro lado do caminho, havia uma casa abandonada que parecia estar assombrada.
  - Vamos entrar! - Diziam dois.
  - É melhor não… - Dizia eu e mais outro amigo. Estávamos ambos com medo do que poderia haver, ou do que poderia acontecer dentro daquela casa.
  Enquanto discutíamos se entrávamos ou não, apareceu um homem com um ar esquisito. Desatámos todos a fugir.
  Fugimos dois para um lado e outros dois para outro. Passado algum tempo a fugir do homem, reencontrámos os nossos amigos que tinham fugido para o outro lado.
  Na segunda-feira seguinte, ao ir para a escola, voltei a ver esse homem. Olhei bem para ele e lembrei-me de que era o sacristão da paróquia a que pertenço.

Sofia

Dia de paraquedismo



        Era uma manhã de Verão, com os raios de sol a bater nas janelas de casa. Estava um belo dia para eu e os meus amigos fazermos uma caminhada, passearmos à beira-mar ou estarmos em convívio na piscina, o que fazíamos praticamente todos os dias. Mas surgiu-nos uma ideia diferente.
        — Porque não fazemos algo que nunca fizemos? - disse o Manuel.
        — Podíamos, por exemplo, experimentar o paraquedismo - disse a Ana.
        — Vocês têm toda a razão, seria uma experiência única e divertida - disse a Luísa.
        Planeámos almoçar juntos, num jardim, onde conversámos sobre a nossa tarde em paraquedas e como seria a sensação de estarmos lá em cima a "voar".
        Eram três da tarde, e estávamos nós dentro do avião, prontos, com as mochilas nas costas, para podermos sair. O nervosismo atacou-me e já estava a pensar em desistir, mas não podia: estava em grupo, e não podia desiludir os meus amigos.
        Quando, finalmente, saltámos, foi uma sensação fantástica e única. Alguns minutos depois, chegámos a terra. Passou rápido, tal como os meus nervos, eu até queria repetir, mas já era tarde. Foi um dos melhores dias que já passei com os meus amigos... E é aproveitar quando se pode.


Beatriz

Sentem-se, apertem os cintos e desfrutem da viagem


Ainda éramos três naquele tempo. Era eu a minha prima Cláudia,  e o meu irmão tomas.  A “Lau” era a mais velha.
Sim. Nós sabíamos que aquele dia teria que ser memorável. Era o primeiro dia de férias de verão! Estava calor e sol, naturalmente.
Então, decidimos, no fim de um almoço em família, ter alguma aventura.
Estávamos decididamente “fartos” de ir andar de bicicleta por caminhos desconhecidos, de conhecer novas pessoas, etc.
Daquela vez iríamos fazer algo improvisado.
Foi nesse momento que me ocorreu uma solução.
- Lau! Ajuda-me a tirar esse atrelado da terra, e tu, Tomás… vai procurar cordas e encostos.
Assim fizemos. Tiramos o atrelado e levámo-lo para o campo. Quando o Tomás chegou com as cordas e com almofadas bem grandes, atámos as almofadas ao atrelado com as cordas, sentámo-nos nas almofadas e agarrámo-nos ao ferro da frente, que permitia controlar as rotas do “carroço”.
- Mafalda, o que vais fazer? -  interrogaram confusos.
- Cavalheiros, sentem-se, apertem os cintos e desfrutem da viagem.
Eles riram.
Quando já estávamos instalados dei um pontapé no pau que estava a segurar o atrelado, e aquilo começou a descer rápido de mais. Foi o suficiente para perder o controlo. E lá em baixo, havia um celeiro. Já estávamos, literalmente, a prever o desastre.
O Tomás atirou-se fora do atrelado, pegou num pau e atirou-o às rodas, o que fez com que abrandasse.
Nunca mais voltámos a atar almofadas a um atrelado...

Mafalda

Os porquês da Rita


         Como é que eles conseguem adivinhar na carta em que eu estou a pensar? Como é que eles conseguem fazer aparecer uma moeda na minha orelha? E a rapariga que desaparece dentro daquela grande caixa, como é que eles o fazem? Eis muitas perguntas a que eu sempre quis responder, mas, sempre que tentava fazer um truque, algo tinha de correr mal.
         Todos os domingos eu ia à casa da minha avó, mas naquele domingo foi diferente.
         Tinham montado um circo pertinho da casa da minha avó, no qual ia atuar um dos mais prestigiosos mágicos de sempre, e claro que eu já tinha ido com a minha mãe comprar os bilhetes.
         - Mããããe! – gritei, enquanto corria para o sofá em que ela estava sentada – Olha, achas que eu posso conhecer o mágico que vai atuar no circo esta noite?
         - Não sejas tolinha! – disse ela, rindo.
         Ao princípio fiquei um pouco aborrecida, mas depois tive uma brilhante ideia. Abri a porta de entrada sorrateiramente e fui em direção ao circo. A música alta já se ouvia cá fora e os artistas estavam a ensaiar. Abri a cortina que dava acesso ao circo e, felizmente, encontrei logo o mágico.
         Falei com ele e este concordou em deixar-me atuar com ele no espetáculo dessa noite.
         Voltei para casa sem que ninguém desse conta e, quando chegou a hora do espetáculo, minha mãe não ficou zangada pelo que eu fiz, incrivelmente.

A aventura da Margarida


    Na minha infância nunca tive uma aventura. A não ser… numa altura em que ainda estavam umas manhãs quentes, com um vento ligeiro, onde pássaros cantavam alegremente, flores coloridas convidavam as abelhas a tirar o pólen e animais à procura de um lago onde pudessem beber a água fresca e cristalina logo de manhã.
    Nessa manhã, eu e o meu primo estávamos no Outeiro, na casa de férias dele. Saímos logo de manhã para inventarmos um caminho para irmos para o rio de uma maneira mais divertida. Ele gabava-se de saber todos os caminhos como as palmas das suas mãos, mas como toda a gente sabe que ele é meio “ aluado”, eu preferi deixar um rasto por onde tínhamos passado.
    A certa altura, começámos a falar sobre as aulas e a escola e eu esqueci-me de deixar o caminho marcado e ele de lhe prestar atenção. Nós descemos por ali abaixo, ora virávamos à esquerda ora à direita e, quando demos por nós, estávamos perdidos. Perguntei:
  - Então, sabichão, sabes onde estamos?
  - Não, não reconheço este sítio… - disse, confuso.
- Estamos perdidos, certo? – perguntei .
  - Sim, estamos perdidos – disse com desprezo.
      No entanto, o rio não estava assim tão longe e rapidamente chegámos lá e voltámos a subir pela estrada para ir para casa.

A rapariga que gostava de escadas rolantes




Quando eu era pequena, por volta dos três ou quatro anos, lembro-me de parte de uma aventura que aconteceu. Segundo a minha mãe, foi um dia terrível e eu bem posso concordar.
   Lembro-me de o dia ter começado comigo a comer bolachas enquanto via televisão, até que fui buscar a mala de maquilhagem da Barbie ao meu quarto; e de ter acabado com as colunas e a televisão cor-de-rosa no chão. Claro que não podia faltar baton naqueles buraquinhos das colunas. Quando a minha mãe viu, choveu naquela casa.
   Depois fomos às compras com os meus pais e o meu irmão, André, que por essa altura já devia ter nove ou dez anos. Nesse tempo, éramos irritantes: ele implicava comigo e a palavra que eu mais dizia era “para”. Ele tinha começado a fazer caretas para mim e eu odiava isso.
- Não me apanhas, nananananaaana! – dizia ele, com um riso maldoso e traquina.
   - Apanho, sim! - e começava a correr feita louca atrás dele. Até caí. Chorei.
   - Não sabem estar quietos? Aqui à minha beira!- repreendeu a minha mãe.
   - Mas foi ele! - apontei para o André, acusando-o.
   -Eu não fiz nada…- sempre aquela frase inocente.
(…)
   A minha mãe e o meu pai falavam com uns amigos que encontraram pelo caminho, até que vi as escadas rolantes. Eu era curiosa e achava piada àquilo. Fui-me aproximando…
  E tudo acabou com a minha mãe paralisada a olhar para mim, o meu pai a gritar e a correr, o meu irmão sem expressão na cara e uma desconhecida a salvar-me depois de ter rebolado pelas escadas abaixo. Só fiquei com nódoas negras.
  A partir daí achava que as escadas eram amigas do “bicho papão” e andei sempre “colada” à minha mãe no shopping.

Ana Margarida

O voo da Clara


Quando era pequenina tinha o sonho de voar. Tentava várias vezes: saltava de cima do sofá e de seguida abanava rapidamente os braços, mas nunca resultava. Então acabei por desistir. Passados alguns meses surgiu-me novamente a ideia de tentar voar. Então decidi tentar de uma forma um pouco diferente… A minha mãe levou-me ao supermercado com ela e eu, como sempre, estava lá a pegar em sacos de plástico para ela guardar os legumes e as frutas dentro.
- Fica aí que eu já volto. - disse-me ela.
Fiquei lá à espera como a minha mãe tinha pedido. Como era época de Natal, no supermercado havia uma grande torre feita de chocolates. Pus-me a olhar para ela e logo me surgiu uma ideia. Comecei a escalar a torre, e quando cheguei ao topo desta, toda a gente que estava nesta zona ficou especada a olhar para mim. Ganhei coragem e saltei do topo desta torre, abanando rapidamente os braços. Quando estava a “voar” senti-me assustada e arrependida, prometendo-me que nunca mais faria uma loucura destas. Felizmente caí em cima de um saco de batatas, não me acontecendo nada de grave, apenas fiquei com uns pequenos ferimentos no joelho.
Depois disto tudo acabei por desistir da ideia de voar.

terça-feira, 31 de março de 2015

A autonomia da Joana


Um dia, estava eu no infantário, quando se ouve alguém a gritar:

   -Socorro! Estou preso!

   Lá vai uma carrada de gente e faz um círculo à volta: funcionários, amigos, até pessoas desconhecidas, todos a tentar ajudar a pobre rapariga, com um pé, sabe-se lá como, enfiado numa tampa de esgoto. Sempre a mesma coisa: alguém pedia ajuda e toda a gente ajudava. As pessoas tinham de começar a arranjar-se sozinhas, sem ajuda. Assim, quando fossem maiores, já estavam bem treinados a fazer coisas dessas; a desenvencilhar-se sozinhos.

   Mas não, socorro aqui, socorro ali; «isto já parece a quinta do tio Manel», dizia eu. Ninguém ouvia.

   Até que, um dia, estava eu feliz no recreio, a brincar num daqueles castelos, com escorregas e sítios de trepar, quando algo se espeta na minha mão. «Que estranho», pensei para mim. «Esta agora, tenho uma farpa!». Era o momento ótimo para mostrar o que conseguia fazer sozinha: comecei a tentar tirar a farpa com as minhas unhas, mas nada. De tanto tentar, esqueci-me que estava naquela estrutura grande a que chamo castelo, e, caí.

   A queda foi rápida, nem tive tempo de me agarrar em algum sítio. Doía-me tudo, da cabeça às pernas e não me conseguia mexer.

   E foi assim, aventurei-me sozinha e acabei no hospital com um braço partido. Desde aí nunca mais subi a coisas altas com uma ferida.

O peixe-aranha da Carolina

Estava um dia de verão quente e soalheiro, e na praia do Alvor soprava uma brisa suave. O mar espumoso refletia o sol, que se olhava, vaidoso, nas ondas calmas e esverdeadas. A areia dourada enchia o meu corpo, que parecia um croquete pronto a fritar.
Era uma brincadeira que todos os miúdos gostavam de fazer: depois de nadarmos no mar, ninguém se secava, pois íamos todos rebolar na areia para ficarmos cheios dela por todo o lado, para grande desespero dos pais.
Eu e a minha irmã Maria estávamos a brincar ao “croquete”, quando, de repente, deixámos de ver os nossos pais.
- Carolina, os pais estão aqui, vamos dar um mergulho porque estamos cheias de areia e, assim, vamos conseguir vê-los.
- Está bem, mas é só um mergulhinho - disse eu, quase a chorar.
O mar estava quentinho e eu, com a ajuda da minha irmã, mergulhava para tirar a areia. Mas, de repente, senti uma dor aguda no pé e comecei a chorar.
A minha irmã, preocupada, tirou-me da água e, avistando os pais, que entretanto nos tinham ido procurar, arrastou-me até eles.
- Que se passa? – perguntou a voz calma da mamã.
- Dói o pé – disse eu, cheia de dores.
A minha mãe levou-me ao nadador salvador, que observou o meu pé e disse:
-Foi mordida por um peixe-aranha.
Eu, sem saber o que era isso, comecei a chorar ainda mais, mas o rapaz desinfetou-me o pé e massajou-o, e ele ficou como novo.

A pequena ilha da Rafaela


 Tudo se passou num verão, num daqueles dias de verão quentes, mas com uma brisa refrescante. Estava na praia, numa daquelas praias do norte com não muita gente. Comigo na praia estava a minha mãe, o meu pai, a minha irmã e uma amiga.

 Depois de arrumarmos as coisas que levávamos  e de aplicar uma boa camada de protetor solar, fomos brincar, fizemos construções na areia, apanhámos pedrinhas no mar, ... até que chegou a hora do almoço e fomos comer. Eu adorava aqueles almoços na praia, quando eu é que decidia o que meter dentro do pão.

 A seguir do almoço dormirmos uma sesta pois nas horas em que o sol está mais a "pique" é mais perigoso. A sesta não durou mais de vinte minutos. Levantámo-nos e colocámos o protetor solar, sentimos que estava na hora de uma aventura e assim caminhamos junto ao mar com a minha mãe ate que paramos e vimos no mar uma pequena ilha que ficava não muito longe. Fomos até lá: a água que rodeava a ilha dava-me pela barriga. A ilha não era grande (na verdade era só um pedaço de areia no meio do mar), mas divertimo-nos imenso.

 Estivemos lá algum tempo, mas tivemos de voltar para casa porque já era tarde.

O Esconderijo do Nuno


Junto de minha casa havia uma casa em construção. Estava assim há muitos anos. Toda a gente pensava que ia ficar assim para sempre, no meio da floresta.

Um dia, de manhãzinha, o meu irmão chamou-me para subirmos até à floresta em torno da outra casa.

-Vamos construir um esconderijo! – disse ele, entusiasmado.

Eu, que era muito pequeno, não sabia o que era um esconderijo, mas concordei e segui-o.

Pedimos ao nosso pai que fosse connosco, e subimos os três à floresta. Era uma floresta grande, cheia de eucaliptos altos e de cor viva. Tinha muitas plantas selvagens e desconhecidas. E a casa, semiconstruída, estava já coberta de heras.

Começámos então a trabalhar no Esconderijo. O nosso pai arranjou madeira, fizemos a parede de árvores, e, por fim, dois banquinhos e uma mesa.

Estava então o Esconderijo feito. Da nossa casa, não se via – estava escondido. Eu e o meu irmão passámos lá horas brincando aos soldados e aos Reis e Rainhas, observando a casa com binóculos.

Hoje, a casa “para sempre em construção” está terminada. Com um terreno enorme dentro dos muros altos, o Esconderijo foi engolido pela construção e destruído. Tal como tudo na vida, os tempos do pequeno Esconderijo acabaram.

- Havemos de construir outro esconderijo! – diz por vezes o meu pai.

- Quando eu deixar de ter testes! – diz o meu irmão – Talvez no Dia de São Nunca…

O Muro do Simão



   Na casa dos meus avós há um muro. Um muro de cimento, todo cinzento, muito largo e bastante alto. Um muro que sempre esteve lá. Pelo menos, que eu me lembre No ano passado, os meus avós deixaram-nos, a mim e aos meus primos, fazer lá graffiti, de modo que o muro ficou mais "fixe". Há também uns arames onde  a minha avó pendura a roupa.
    Estava eu e os meus primos, reunidos naqueles domingos em que todos vão almoçar à casa dos avós, quando o Dinis disse:
     - Ei , e se fossemos ver o que está atrás daquele muro?
     É óbvio que nós sabíamos o que era , era um campo de relva, com um desnível algures, e com um rebanho de ovelhas, mas é claro que, visto do outro lado do muro, era melhor:
      - Sim! - disse eu.
      - Então , eu também vou ! - disse o Xavier.
      - Eu também quero! - suplicou o Gil.
      E lá fomos nós! Amarrámos as mãos aos arames e, pé ante pé, subimos, saltando, logo a seguir , para o outro lado.
      Começámos por ir brincar com as ovelhas, depois atirámos pedras, de muito longe para ele não ver quem foi, ao cavalo e fomos indo assim, andando de um lado para o outro, até que vimos uma casa abandonada.
       Tentámos abrir a porta , mas ouvimos um berro e fomos logo embora.
        E foi assim a aventura!

Simão